quarta-feira, 20 de novembro de 2019

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Havia se casado por amor e isto a deixava feliz e recompensada; algo que uma moça nova e virgem considerava em demasia.

Todavia, com o passar dos anos, o casamento esfriou e o marido tornou-se, no começo, indiferente, evoluindo para agressões verbais e, por fim, físicas.

Ela tentou salvar aquele casamento, mas no final das contas se separou, temendo que ele a matasse.

Assim, abalada psicologicamente, não quis mais se relacionar com homem algum. Era algo natural e aceitável, mas como era ainda jovem e bonita, sentiu falta de companhia.

E começou a namorar um rapaz que também estava desiludido com as agruras emocionais da existência. Um relacionamento de pessoas já doloridas pelas experiências amorosas.

Mas, como se tratava de um homem de poucas posses, mero funcionário público municipal com um rendimento bem baixo, logo ela se sentiu rebaixada naquela situação. O ex-marido podia ser violento, mas sempre lhe deu conforto e um cartão de crédito ilimitado. Ficavam as dores no corpo e na alma, mas sempre havia o consolo de um sapato italiano e ou uma roupa da alta costura.

Assim, o pobre servidor foi retirado da vida dela de maneira seca e direta, através de um mero telefonema.

O tempo passou e logo ela caiu de amores por um médico, muito famoso na região. Já tinha uma certa idade, mas ainda conservava seus encantos e logo o doutor estava apaixonado.

Foram morar juntos e ela viu surgir em seu coração uma dúvida: como manter aquele homem sempre ao seu lado? Como não ter dúvidas de que ele jamais a trocaria por mulher alguma? 

Após muito pensar, lhe veio a solução.

Começou a frequentar psiquiatras, psicólogos e até adivinhos: se dizia muito triste, tomada por uma melancolia profunda que nunca existiu.

O coitado do médico, com pena da sua companheira, satisfazia a todos os seus caprichos e sempre estava ao seu lado, onde quer que fosse.

Assim, fingindo um estado depressivo, fingindo tomar ansiolíticos, ela construiu o seu mundo de paz e tranquilidade, onde ela habita feliz e realizada.


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