Depois de uma década de namoro, ela finalmente havia conseguido o seu objetivo: seu namorado aceitava se casar. Todos os episódios de tristeza, das falta de fidelidade dele, enfim, tudo isso estava no passado agora. Uma nova vida começava e ela se sentia muito feliz com isso.
As relações com a família do namorado, agora marido, nunca foram tranquilas, pois a mãe dela não a aceitava plenamente. Acreditava que o filho merecia coisa melhor, segundo palavras da matrona. Mas, no fundo, se sentia aliviada por ele estar com alguém e tentaria, com todas as suas forças, agradar a sua nora.
Nos primeiros meses, tudo era maravilha: ele a enchia de carinhos e fazia de tudo para ser o melhor marido que já havia pisado na face da Terra. Ela, por seu turno, se esforçava para ser a melhor esposa que um homem tivera nesse mundo. A rotina não poderia ser mais perfeita.
Cada um em seu trabalho, se encontravam no final do dia, a maioria das vezes na casa da sogra dela. A matrona passou a tratá-la com mais familiaridade, e em alguns casos, passou a chamá-la de filha.
Nas reuniões familiares dele, as demais noras se sentiam rejeitadas, pois a matriarca só tinha olhos para ela. De fato, havia conquistado o coração e a mente daquela senhora, nao havia mais dúvidas.
Mas, o tempo foi passando. E a desconfiança passou a ocupar o espaço da certeza. Um certo temor passou a habitar o coração dela.
Ele realmente havia parado com as aventuras, os encontros furtivos com outras mulheres. Poderia sair e beber com os amigos, não a incomodava, mas dividi-lo com outras mulheres seria demais.
Passou a vigiá-lo, a controlar onde ele ia. Isso afetou seu comportamento no trabalho e seu rendimento caiu.
Foi conversar com sua mãe, mas ela nada lhe ajudou, pois já estava acostumada com as agruras da vida e achava normal que um homem não fosse fiel a mulher. Ela aceitara isso uma vida inteira e disse a sua filha para fazer o mesmo.
Logo as brigas ocupavam o lugar dos carinhos, as cobranças, dos beijos. Uma situação complicada se instalou entre os dois.
Ela tentou procurar apoio com a sogra, mas foi pior. Ela a rechaçou por desconfiar de seu filho. A partir daquele dia, sua preferencia passou para as outras noras e, nas festas, ela passou a ser deixada de lado.
Tudo parecia caminhar para uma separação, todavia isso não aconteceu.
Com o tempo, ela percebeu que sua vida não tinha a cor que queria, mas pelo menos, era colorida.
Que seu marido não era o cavaleiro no corcel branco, mas também não era o vilão de finos bigodes.
Olhava para seu futuro e via uma infinita planície. Dedicava a sua vida a uma tola e venerada mediocridade.
2011