segunda-feira, 18 de novembro de 2019

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Quando a conheci era uma moça comum, com suas costumeiras qualidades e defeitos; assim eu achava que ela era e não me preocupei se ela gostasse ou não de mim.

Me recordo bem do seu corpo: era magra, mas tinha curvas, seios bem feitos e bumbum era empinado. Não tinha muita altura, mas isso não afetava o conjunto estético da cabrocha.

Todavia, dois pontos a deixavam insegura com relação à sua imagem: seu cabelo e seu nariz. Seu cabelo era bonito, todavia era muito crespo, o que a deixava com um certo complexo, pois aconteciam aquelas piadinhas: “seu cabelo é criminoso: ou tá preso ou tá armado!”.

Usava a famosa chapinha para que fosse alisado, mas um dia, resolveu assumir seu cabelo como era e isso a deixou mais confiante. Que fosse assim mesmo, iria se aceitar como era.
Poucos sabiam que havia tomado esta decisão após fazer parte de um grupo nas redes sociais chamado “Orgulhosas dos Cachos”. Se sentiu parte de um grupo e isso a fez se sentir melhor.

O outro ponto era o seu nariz; não gostava do formato, o achava muito pequeno. Assim, fez uma cirurgia e apresentou seu nariz novo, a ser pago em pequenas prestações a perder de vista.

Mas, apesar de tudo, não se sentiu mais realizada; havia passado por vários relacionamentos e não havia se firmado em nenhum deles; houve traições ou simplesmente havia caído na rotina e acabou-se.

E assim, às vésperas de completar meio século de vida, ela não entende os homens e a sociedade opressora que está ao seu redor: seus cachos são lindos e seu nariz de princesa é belo. Todavia, seu gênio irritadiço e brigão não podem ser mudados: para isto não existe rede social ou cirurgia que resolva.


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