quarta-feira, 20 de novembro de 2019

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Tinha um gênio forte e fazia se impor em qualquer ambiente: sabia argumentar, mas se fosse preciso intimidar quem quer que fosse, não perdia tempo. Seus chefes se acostumaram com seu jeito e seus colegas a protegiam. Era querida e estimada por ser uma funcionária como poucas. 

Via no trabalho o seu principal motivo para viver, pois não era feliz naquele casamento: se casara muito jovem com o primeiro namorado e o passar do tempo, junto com o nascimento de três filhos, transformaram aquele jovem cabeludo e atlético em um velho barrigudo e careca, que não gostava de trabalhar e, ainda por cima, mulherengo.

Era um pé-de-boi, como sua avó gostava de lhe chamar. Enquanto o marido vivia inventando formas de ficar milionário (sempre se ferrando!), ela com seu emprego e seu modesto salário ia criando os filhos, pagando o colégio, a faculdade.

Assim, depois de anos de labuta, os filhos se formaram e conseguiram bons empregos. A baixinha morena de sorriso largo e gênio complicado havia cumprido sua missão. Que viessem os netos que ela ainda teria energia. Havia se aposentado, mas a tarefa continuava.

E apesar do velho barrigudo e careca, ainda se sentia uma mulher cheia de vida, pronta para os trancos do cotidiano.


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